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Anderson Pereira Portuguez Diamiry Cabrera Nazco Yulianne Pérez Escalona

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relações  econômicas  e  de  poder,  baseado  no  padrão 

hegemônico  e  lucrativo  da  exploração  de  atividades  de 

lazer para fins turísticos em espaços, em que a presença 

dos atrativos naturais (o sol, o mar, a paisagem, os ventos 

e  etc.)  tem  relevância  social  e  econômica.  Sendo  assim, 

tais  elementos  apresentam-se  como  condição  sine  qua 

non para que a produção e o consumo do turismo e desse 

espaço  se  ramifiquem  e  atendam  aos  anseios  dos 

mercados capitalistas na sociedade contemporânea. 

Para  aprofundar  a  discussão,  Lefebvre  (2008)  faz 

um  contraponto  sobre  os  efeitos  construtivos  e  benéficos 

do turismo, pois, para ele, é fundamental elucidar o caráter 

de  consumo  do  espaço  e  dos  lugares  pela  atividade 

turística, fazendo a seguinte reflexão: 

Estranho percurso, dizemos: a natureza entra para 

o valor de troca e para a mercadoria, é comprada e 

vendida. 

Os 

lazeres 

comercializados, 

industrializados,  organizados  institucionalmente, 

destroem  essa  “naturalidade”  da  qual  as  pessoas 

se  ocupam  a  fim  de  traficá-la  e  trafegar  por  ela. A 

“natureza”, ou aquilo que é tido como tal, aquilo que 

dela  sobrevive,  torna-se  o  gueto  dos  lazeres,  o 

lugar  separado  do  gozo,  a  aposentadoria  da 

“criatividade” (LEFEBVRE, 2008, p. 117). 

Não distante do pensamento de Lefebvre, Rodrigues 

(2000) afirma de forma contundente que o turismo por ser 

uma  atividade  econômica  que  enfatiza  a  produção  e  o 

consumo  dos  espaços,  não  é  auto-sustentada,  tampouco 

sustentável,  como  defendem  vários  autores  das  ciências 

sociais  e  humanas  (MENDONÇA,  2001;  LEMOS,  2001; 

RODRIGUES,  2002a,  2002b,  2002c  e  2003;  ALMEIDA, 

2003;  CARLOS,  1996),  uma  vez  que,  para  tais  autores  o 

turismo  como  as  demais  atividades  econômicas  não  são 

sustentáveis,  pois  produzem  e  consomem  o  espaço  e  as 

riquezas  a  todo  o  tempo,  o  tempo  todo,  sendo  um 


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processo  intrínseco  a  qualquer  que  seja  a  atividade 

produtiva.  

Com  o  crescimento  e  a  consolidação  da  sociedade 

capitalista  pós-guerra,  fundamentados  pela  formação  da 

sociedade  industrial  que  possui  raízes  no  continente 

europeu no século XVIII, difundiram-se diversos processos 

que  culminaram  em  conquistas  do  ponto  de  vista  social 

nos séculos subsequentes, dentre elas: o tempo dedicado 

às atividades de lazer e a realização de viagens turísticas. 

Nesse  contexto,  os  países  periféricos  não  ficaram  à 

margem  desse  processo,  iniciando,  mesmo que de forma 

embrionária,  o  desenvolvimento  da  atividade  turística  nos 

moldes capitalistas de produção e reprodução do capital, a 

qual se propagou por meio do segmento de turismo de sol 

e  praia  em  escala  global,  principalmente  em  países 

litorâneos. 

Nessa  nova  atmosfera  alimentada  pelo  avanço  do 

capitalismo foi  construída,  paulatinamente,  a  ideia  de  que 

o  turismo  internacional  significaria  a geração  de riquezas, 

trabalho, crescimento econômico e desenvolvimento social 

para  as  localidades  receptoras  (sobretudo  nos  países 

subdesenvolvidos),  com  destaque  para  as  divisas 

econômicas  geradas  pelo  capital  estrangeiro  reproduzido 

em ambientes litorâneos e responsável pela exploração da 

atividade turística voltada para 

o consumo de “sol e praia”. 

A  necessidade  de  compreender  as  implicações  da 

atividade turística em comunidades de praia, fundamenta-

se na dimensão econômica e social que o litoral marítimo 

conquistou  desde  os  meados  do  século  XX,  mais 

precisamente no período do Pós-Guerra (depois das duas 

grandes guerras mundiais que ocorreram em 1914/1918 e 

1939/1945,  respectivamente).  Após  o  término  dessas 

guerras, o mar passou a ter outros usos e funcionalidades 

além  daquelas  convencionais  ou  tradicionais  como:  a 



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Comité Organizador: Gonzalo Cabrera, Laura Gómez, Silvina Nosiglia, Ulises Novoa, Gabriel Rosa


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